
Anvisa aprova novo tratamento para hemofilia A e B que promete reduzir sangramentos
Anvisa aprova o medicamento Qfitlia (fitusirana sódica) para prevenir sangramentos em pacientes com hemofilia A e B. Novo tratamento promete melhorar a qualidade de vida de mais de 14 mil brasileiros diagnosticados com a doença.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento da Hemofilia no Brasil. A novidade representa um avanço importante para pacientes que convivem com a doença, pois o tratamento poderá ajudar a prevenir ou reduzir episódios de sangramentos recorrentes.
O medicamento aprovado é o Qfitlia (fitusirana sódica), desenvolvido pela Sanofi. Ele é indicado para pacientes a partir de 12 anos diagnosticados com hemofilia A ou B, inclusive para aqueles que possuem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX.
Segundo especialistas, a nova terapia tem potencial para melhorar significativamente a qualidade de vida de milhares de brasileiros que vivem com a condição.
Mais de 14 mil brasileiros convivem com hemofilia
De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados no relatório Perfil das Coagulopatias de 2024, o Brasil possui 14.202 pessoas diagnosticadas com hemofilia.
Entre os casos registrados:
- 11.863 pacientes possuem hemofilia tipo A
- 2.339 pacientes têm hemofilia tipo B
A doença é considerada rara e tem origem genética. Além disso, por estar ligada ao cromossomo X, ela se manifesta quase exclusivamente em homens.
Por esse motivo, a análise do novo medicamento recebeu prioridade da Anvisa, que avaliou os benefícios da terapia para pacientes que necessitam de tratamentos contínuos.
O que é hemofilia e como a doença afeta o organismo
A hemofilia ocorre quando o organismo apresenta deficiência de proteínas responsáveis pela coagulação do sangue.
Essas proteínas são chamadas de fatores de coagulação. Quando estão ausentes ou em níveis muito baixos, o corpo tem dificuldade para estancar sangramentos.
Existem dois tipos principais da doença:
- Hemofilia A – causada pela falta do fator VIII
- Hemofilia B – causada pela deficiência do fator IX
Sem esses fatores, o organismo não produz adequadamente a Trombina, uma enzima fundamental para a formação de coágulos e cicatrização de feridas.
Como consequência, os pacientes podem apresentar sangramentos prolongados ou hemorragias espontâneas.
Gravidade varia conforme o nível dos fatores de coagulação
A intensidade da hemofilia depende da quantidade de fatores de coagulação presentes no sangue.
- Casos graves: podem causar hemorragias espontâneas, principalmente em articulações e músculos.
- Casos moderados ou leves: geralmente apresentam sangramentos após traumas, cirurgias ou lesões.
De acordo com especialistas, as articulações e os músculos são as áreas mais afetadas. Entretanto, qualquer órgão do corpo pode sofrer hemorragias.
Por isso, o diagnóstico precoce e o monitoramento contínuo são fundamentais para evitar complicações e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
Novo medicamento promete tratamento menos invasivo
A aprovação do Qfitlia (fitusirana sódica) foi recebida com expectativa positiva por entidades que representam pessoas com hemofilia.
Segundo a Federação Brasileira de Hemofilia, a nova terapia poderá tornar o tratamento mais simples e menos invasivo.
Atualmente, muitos pacientes precisam receber infusões intravenosas de três a quatro vezes por semana.
No entanto, com o novo medicamento, a aplicação será subcutânea e realizada apenas uma vez a cada dois meses.
Essa mudança pode reduzir significativamente o impacto do tratamento no cotidiano dos pacientes e de seus familiares.
Tratamento pode melhorar adesão dos pacientes
Outro ponto destacado por especialistas é a possibilidade de aumentar a adesão ao tratamento.
De acordo com a Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia, muitos pacientes enfrentam dificuldades para manter a regularidade das terapias atuais, principalmente devido à frequência das aplicações.
Com um tratamento mais espaçado e menos invasivo, espera-se que mais pessoas consigam seguir corretamente as orientações médicas.
Consequentemente, os resultados clínicos podem melhorar, reduzindo episódios de sangramento e complicações da doença.
Impacto positivo para pacientes e para o sistema de saúde
Além dos benefícios diretos aos pacientes, especialistas apontam que a nova terapia pode trazer melhorias também para o sistema de saúde.
Com aplicações menos frequentes, a logística de atendimento tende a se tornar mais eficiente, reduzindo a sobrecarga nos centros especializados em hemofilia.
Dessa forma, profissionais de saúde poderão oferecer um acompanhamento mais personalizado, contribuindo para melhores resultados no tratamento.
Em resumo, a aprovação do novo medicamento pela Anvisa representa um avanço importante no cuidado com pessoas que vivem com hemofilia no Brasil. Com um tratamento mais prático e de longa duração, a expectativa é que pacientes tenham mais autonomia e qualidade de vida.

Maiores detalhes no áudio abaixo:
Referências
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Aprovação do medicamento Qfitlia (fitusirana sódica) para tratamento de pacientes com Hemofilia no Brasil.
- Ministério da Saúde. Perfil das Coagulopatias Hereditárias no Brasil – 2024.
- Federação Brasileira de Hemofilia (FBH). Informações institucionais e posicionamentos sobre tratamentos para hemofilia.
- Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia. Estudos sobre adesão ao tratamento e qualidade de vida de pacientes.
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados globais e diretrizes sobre diagnóstico e manejo da hemofilia.



