El Niño 2026 deve impactar principalmente o sul do Brasil com maior riscos de enchentes e estiagem no nordeste

El Niño 2026 deve impactar principalmente o sul do Brasil com maior riscos de enchentes e estiagem no nordeste

13 de fevereiro de 2026 0 Por Antônio Garcia

El Niño 2026 pode provocar aquecimento global recorde e eventos extremos no Brasil e no mundo. Veja a análise das projeções, impactos regionais e comparação com 2023.

Antes de tudo, os dados mais recentes do Oceano Pacífico Equatorial indicam uma mudança importante no padrão oceânico-atmosférico. Enquanto no início de janeiro ainda havia sinais claros de resfriamento associados à La Niña, agora os mapas de fevereiro já mostram uma redução significativa dessas águas frias e o início de um aquecimento costeiro que pode evoluir rapidamente.

Além disso, os institutos internacionais de meteorologia vêm discutindo a possibilidade de formação de um El Niño ao longo de 2026, com potencial para impactos globais relevantes — inclusive comparações preliminares com o evento de 2023–2024.

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1. O que mostram os dados mais recentes do Pacífico?

Primeiramente, ao analisarmos os mapas de temperatura da superfície do mar (TSM) do dia 2 de janeiro, observava-se:

  • Presença de águas mais frias (tons azulados e esverdeados)
  • Configuração típica de La Niña
  • Resfriamento do Pacífico Leste até a região central

Entretanto, já em 8 de fevereiro, nota-se:

  • Redução expressiva das águas frias
  • Início de aquecimento no Pacífico Leste
  • Indícios de propagação para a região central

Esse padrão é característico do chamado El Niño costeiro, que começa próximo à costa da América do Sul e posteriormente se expande para o centro do oceano.

Detalhes no vídeo abaixo:

2. O papel das águas subsuperficiais e da Onda de Kelvin

Além da superfície, os dados de subsuperfície (cerca de 150 metros de profundidade) mostram um ponto crucial.

Anteriormente, registraram-se rajadas de vento leste acima da média. Consequentemente, essas rajadas favoreceram a formação de uma Onda de Kelvin, transportando águas mais quentes da região oeste para o leste do Pacífico.

Como resultado:

  • As águas quentes se acumularam abaixo da superfície
  • Agora estão emergindo
  • Devem reforçar o aquecimento superficial nas próximas semanas

Portanto, há forte indicativo de aceleração do aquecimento oceânico.

3. Projeção de aquecimento até o inverno de 2026

De acordo com as projeções sazonais (março a julho):

PeríodoTendência da Temperatura do Pacífico Equatorial
FevereiroInício do aquecimento no leste
MarçoPropagação para região central
AbrilIntensificação gradual
MaioAquecimento consistente
JunhoConfiguração típica de El Niño
JulhoPico de aquecimento no inverno

Consequentemente, o trimestre maio–junho–julho apresenta forte probabilidade de consolidação do evento.

4. Comparação com 2023–2024: 2026 pode ser mais quente?

É importante lembrar que 2023 foi o ano mais quente já registrado globalmente, impulsionado pelo El Niño daquele período e pelo aquecimento global de longo prazo.

Agora, as projeções preliminares indicam que:

  1. O aquecimento oceânico pode ser mais rápido em 2026.
  2. A média global pode superar os níveis de 2023.
  3. A energia disponível na atmosfera pode aumentar significativamente.

Gráfico ilustrativo – Projeção de Temperatura Global (Índice Anômalo)

Anomalia de Temperatura Global (°C)

2023  | ████████████ 1.48°C
2024  | █████████████ 1.52°C
2026* | ███████████████ 1.60°C (projeção)

(Valores ilustrativos com base em projeções climáticas sazonais)

Assim, um planeta mais quente significa maior potencial de extremos climáticos.

5. Impactos esperados no Brasil e América do Sul

Tradicionalmente, durante eventos de El Niño:

América do Sul

  • Mais chuva na Argentina e Uruguai
  • Excesso de precipitação no Sul do Brasil
  • Redução de chuva no Norte e Nordeste

Brasil

RegiãoTendência durante El Niño
SulChuvas acima da média, risco de enchentes
SudesteEventos irregulares e tempestades intensas
NorteRedução de chuva
NordesteMaior risco de seca

Portanto, embora o setor agrícola do Sul possa ser beneficiado inicialmente, o risco de tempestades severas, granizo e volumes excessivos de chuva aumenta consideravelmente.

Ao mesmo tempo, o Norte e Nordeste podem enfrentar estiagens prolongadas.

6. Intensidade ainda é incerta

É fundamental destacar que:

  • Ainda estamos no campo probabilístico.
  • Não há diagnóstico fechado.
  • Prognósticos mais confiáveis devem surgir entre maio e junho de 2026.

Até o momento, os modelos sugerem probabilidade de El Niño moderado a forte, mas a duração será determinante para a magnitude dos impactos.

7. Por que isso preocupa o mundo?

Quanto maior o aquecimento:

  • Maior a energia disponível na atmosfera
  • Maior a ocorrência de extremos
  • Maior o risco de eventos simultâneos (seca em uma região e enchentes em outra)

Além disso, eventos fortes de El Niño historicamente estiveram associados a:

  1. Recordes de temperatura global
  2. Impactos agrícolas severos
  3. Pressão sobre sistemas hídricos
  4. Eventos extremos mais frequentes

Assim, 2026 e início de 2027 podem ser períodos críticos do ponto de vista climático.

Em síntese, os dados atuais do Pacífico Equatorial mostram uma transição acelerada do padrão de La Niña para condições favoráveis ao desenvolvimento do El Niño 2026. As águas subsuperficiais aquecidas, impulsionadas pela Onda de Kelvin, reforçam a tendência de intensificação nos próximos meses.

Entretanto, apesar das projeções indicarem um cenário potencialmente forte, ainda é cedo para afirmar sua intensidade final. Portanto, acompanhar atualizações dos principais centros meteorológicos será essencial.

Diante desse cenário, governos, setor agrícola e defesa civil precisam iniciar planejamento preventivo, considerando o alto potencial de extremos climáticos no segundo semestre de 2026 e início de 2027.

Referências

  • NOAA – Climate Prediction Center
  • World Meteorological Organization
  • INPE – Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC)
  • IPCC – Relatórios de Avaliação sobre Mudanças Climáticas