
Alzheimer no Brasil é a segunda doença mais temida, aponta pesquisa
O Alzheimer no Brasil é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha. Entenda os motivos do medo, os sinais da doença e a importância do diagnóstico precoce
Inicialmente, uma pesquisa recente revelou um dado importante sobre a percepção de saúde da população: o Alzheimer é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, ficando atrás apenas do câncer.
No entanto, o levantamento foi realizado pelo instituto Datafolha, a pedido da farmacêutica Eli Lilly, e mostra como o medo da doença está presente na realidade de muitas famílias.
Além disso, o estudo também aponta que quatro em cada dez brasileiros conhecem alguém com Alzheimer, o que demonstra o impacto crescente da doença na sociedade.
Dessa forma, o Alzheimer é considerado a forma mais comum de demência e provoca perda progressiva de memória e de outras funções cognitivas.
Pesquisa revela quais doenças mais preocupam os brasileiros
De acordo com o levantamento, foram entrevistadas 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todo o Brasil, durante o mês de dezembro. Os participantes responderam qual diagnóstico mais temiam que atingisse algum parente ou amigo.
Os resultados mostram o seguinte ranking de preocupação entre os brasileiros:
| Doença | Percentual de medo entre os entrevistados |
|---|---|
| Câncer | 75% |
| Alzheimer | 13% |
| Aids | 9% |
| Parkinson | 1% |
Portanto, embora o câncer permaneça como a principal preocupação, o Alzheimer aparece em segundo lugar, à frente de doenças que durante décadas dominaram o debate público, como Aids e Parkinson.
Medo do Alzheimer está ligado à falta de informação
Segundo especialistas, o temor em relação ao Alzheimer está muitas vezes relacionado ao desconhecimento sobre a doença e ao estigma que ainda existe em torno da demência.
A geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), explica que o medo pode levar muitas pessoas a evitarem a busca por diagnóstico.
Além disso, ela destaca que ainda existe a crença equivocada de que a demência é uma consequência natural do envelhecimento.
“Ainda existe a ideia de que esquecer faz parte da idade, mas isso não é verdade. Sempre que surgem alterações cognitivas é necessário investigar”, explica a especialista.
Da mesma forma, a geriatra Claudia Suemoto, professora da disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, afirma que um dado da pesquisa chamou atenção: a idade dos participantes.
A média de idade dos entrevistados foi de 44 anos, enquanto apenas 22% tinham mais de 60 anos, justamente a faixa etária com maior risco de desenvolver demência.
Diagnóstico precoce ainda é pouco valorizado
Quando os participantes foram questionados sobre em quais doenças o diagnóstico precoce é mais importante para o sucesso do tratamento, os resultados mostraram uma diferença significativa entre as enfermidades.
| Doença | Percentual que considera diagnóstico precoce essencial |
|---|---|
| Câncer | 84% |
| Aids | 10% |
| Alzheimer | 4% |
| Parkinson | 1% |
Nesse contexto, percebe-se que o Alzheimer ainda é pouco associado à importância do diagnóstico antecipado, embora ele possa trazer benefícios importantes para o tratamento.
Por outro lado, quase todos os entrevistados — cerca de 99% — afirmaram que é importante procurar um médico ao perceber os primeiros sinais da doença.
No entanto, na prática, isso nem sempre acontece. Aproximadamente 60% das pessoas reconhecem que geralmente existe um longo intervalo entre os primeiros sintomas e a busca por ajuda médica. Além disso, 88% acreditam que muitas famílias só procuram atendimento quando os sinais já estão mais graves.
Tratamento pode preservar a autonomia do paciente
Apesar de o Alzheimer ainda não ter cura, especialistas ressaltam que o tratamento pode retardar a progressão da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
Atualmente, o acompanhamento médico costuma incluir:
- uso de medicamentos específicos
- atividade física regular
- estímulos cognitivos e sociais
Quando essas estratégias são iniciadas precocemente, muitos pacientes conseguem manter autonomia e vida social ativa por anos.
Segundo Celene Pinheiro, a imagem que muitas pessoas têm da doença ainda está associada apenas às fases mais avançadas. Entretanto, a realidade atual pode ser diferente quando o diagnóstico ocorre cedo.
“Há pacientes que continuam viajando, frequentando cinema e teatro e mantendo uma vida social ativa durante bastante tempo”, afirma.
Falta de diagnóstico ainda preocupa especialistas
Outro grande desafio no Brasil é o número elevado de casos que nunca chegam a ser identificados. Dados do Relatório Nacional de Demências (Renade), divulgado pelo Ministério da Saúde em 2024, indicam que aproximadamente 80% dos casos de demência no país não recebem diagnóstico.
A comparação internacional mostra o tamanho do problema:
| Região | Taxa de casos não diagnosticados |
|---|---|
| Europa | 53,7% |
| América do Norte | 62,9% |
| Brasil | cerca de 80% |
| Alguns países da Ásia | acima de 90% |
Consequentemente, muitas pessoas só recebem confirmação da doença quando os sintomas já estão em estágio avançado.
Quais sinais podem indicar alterações cognitivas?
De maneira geral, a demência é caracterizada por um declínio das funções cognitivas que interfere no cotidiano da pessoa. Entre os sinais que podem indicar mudanças importantes estão:
- dificuldade crescente para lembrar compromissos ou eventos recentes
- problemas para se comunicar ou encontrar palavras
- dificuldade para organizar tarefas simples
- atrasos frequentes ou desorientação em locais conhecidos
Entretanto, especialistas alertam que esses sinais muitas vezes são minimizados por familiares e até por profissionais de saúde, principalmente em pessoas muito idosas.
Para os médicos, esquecer ocasionalmente pode ser normal, mas quando as mudanças passam a comprometer a autonomia da pessoa, é fundamental buscar avaliação médica.
Nem toda perda de memória é Alzheimer
Por outro lado, especialistas também destacam que alterações cognitivas podem ter outras causas, especialmente em pessoas mais jovens.
Em alguns casos, os sintomas podem estar associados a condições tratáveis, como depressão, deficiência de vitamina B12 ou alterações da tireoide.
Por essa razão, a recomendação é sempre procurar um profissional de saúde quando surgirem sinais persistentes de perda de memória ou confusão mental.
Em resumo, o Alzheimer já está entre as doenças que mais preocupam os brasileiros. No entanto, o medo da enfermidade ainda está fortemente ligado à falta de informação e ao estigma associado à demência.
Portanto, ampliar o conhecimento sobre os sintomas, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer o acesso ao tratamento são medidas essenciais para enfrentar o crescimento da doença no país e garantir melhor qualidade de vida para pacientes e familiares.
Referências
- Datafolha. Pesquisa nacional sobre percepção de doenças no Brasil.
- Ministério da Saúde. Relatório Nacional de Demências (Renade) – 2024.
- Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Informações sobre diagnóstico e tratamento da doença.
- Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – Disciplina de Geriatria.




