Alzheimer no Brasil é a segunda doença mais temida, aponta pesquisa

Alzheimer no Brasil é a segunda doença mais temida, aponta pesquisa

9 de março de 2026 0 Por Antônio Garcia

O Alzheimer no Brasil é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, segundo pesquisa Datafolha. Entenda os motivos do medo, os sinais da doença e a importância do diagnóstico precoce

Inicialmente, uma pesquisa recente revelou um dado importante sobre a percepção de saúde da população: o Alzheimer é a segunda doença mais temida pelos brasileiros, ficando atrás apenas do câncer.

No entanto, o levantamento foi realizado pelo instituto Datafolha, a pedido da farmacêutica Eli Lilly, e mostra como o medo da doença está presente na realidade de muitas famílias.

Além disso, o estudo também aponta que quatro em cada dez brasileiros conhecem alguém com Alzheimer, o que demonstra o impacto crescente da doença na sociedade.

Dessa forma, o Alzheimer é considerado a forma mais comum de demência e provoca perda progressiva de memória e de outras funções cognitivas.

Leia também: Artrovital Max: suplemento natural que auxilia no alívio de dores nas articulações e melhora da mobilidade

Pesquisa revela quais doenças mais preocupam os brasileiros

De acordo com o levantamento, foram entrevistadas 2.002 pessoas com mais de 16 anos em todo o Brasil, durante o mês de dezembro. Os participantes responderam qual diagnóstico mais temiam que atingisse algum parente ou amigo.

Os resultados mostram o seguinte ranking de preocupação entre os brasileiros:

DoençaPercentual de medo entre os entrevistados
Câncer75%
Alzheimer13%
Aids9%
Parkinson1%

Portanto, embora o câncer permaneça como a principal preocupação, o Alzheimer aparece em segundo lugar, à frente de doenças que durante décadas dominaram o debate público, como Aids e Parkinson.

Medo do Alzheimer está ligado à falta de informação

Segundo especialistas, o temor em relação ao Alzheimer está muitas vezes relacionado ao desconhecimento sobre a doença e ao estigma que ainda existe em torno da demência.

A geriatra Celene Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Alzheimer (Abraz), explica que o medo pode levar muitas pessoas a evitarem a busca por diagnóstico.

Além disso, ela destaca que ainda existe a crença equivocada de que a demência é uma consequência natural do envelhecimento.

Ainda existe a ideia de que esquecer faz parte da idade, mas isso não é verdade. Sempre que surgem alterações cognitivas é necessário investigar”, explica a especialista.

Da mesma forma, a geriatra Claudia Suemoto, professora da disciplina de Geriatria da Faculdade de Medicina da USP, afirma que um dado da pesquisa chamou atenção: a idade dos participantes.

A média de idade dos entrevistados foi de 44 anos, enquanto apenas 22% tinham mais de 60 anos, justamente a faixa etária com maior risco de desenvolver demência.

Diagnóstico precoce ainda é pouco valorizado

Quando os participantes foram questionados sobre em quais doenças o diagnóstico precoce é mais importante para o sucesso do tratamento, os resultados mostraram uma diferença significativa entre as enfermidades.

DoençaPercentual que considera diagnóstico precoce essencial
Câncer84%
Aids10%
Alzheimer4%
Parkinson1%

Nesse contexto, percebe-se que o Alzheimer ainda é pouco associado à importância do diagnóstico antecipado, embora ele possa trazer benefícios importantes para o tratamento.

Por outro lado, quase todos os entrevistados — cerca de 99% — afirmaram que é importante procurar um médico ao perceber os primeiros sinais da doença.

No entanto, na prática, isso nem sempre acontece. Aproximadamente 60% das pessoas reconhecem que geralmente existe um longo intervalo entre os primeiros sintomas e a busca por ajuda médica. Além disso, 88% acreditam que muitas famílias só procuram atendimento quando os sinais já estão mais graves.

Tratamento pode preservar a autonomia do paciente

Apesar de o Alzheimer ainda não ter cura, especialistas ressaltam que o tratamento pode retardar a progressão da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.

Atualmente, o acompanhamento médico costuma incluir:

  • uso de medicamentos específicos
  • atividade física regular
  • estímulos cognitivos e sociais

Quando essas estratégias são iniciadas precocemente, muitos pacientes conseguem manter autonomia e vida social ativa por anos.

Segundo Celene Pinheiro, a imagem que muitas pessoas têm da doença ainda está associada apenas às fases mais avançadas. Entretanto, a realidade atual pode ser diferente quando o diagnóstico ocorre cedo.

Há pacientes que continuam viajando, frequentando cinema e teatro e mantendo uma vida social ativa durante bastante tempo”, afirma.

Falta de diagnóstico ainda preocupa especialistas

Outro grande desafio no Brasil é o número elevado de casos que nunca chegam a ser identificados. Dados do Relatório Nacional de Demências (Renade), divulgado pelo Ministério da Saúde em 2024, indicam que aproximadamente 80% dos casos de demência no país não recebem diagnóstico.

A comparação internacional mostra o tamanho do problema:

RegiãoTaxa de casos não diagnosticados
Europa53,7%
América do Norte62,9%
Brasilcerca de 80%
Alguns países da Ásiaacima de 90%

Consequentemente, muitas pessoas só recebem confirmação da doença quando os sintomas já estão em estágio avançado.

Quais sinais podem indicar alterações cognitivas?

De maneira geral, a demência é caracterizada por um declínio das funções cognitivas que interfere no cotidiano da pessoa. Entre os sinais que podem indicar mudanças importantes estão:

  1. dificuldade crescente para lembrar compromissos ou eventos recentes
  2. problemas para se comunicar ou encontrar palavras
  3. dificuldade para organizar tarefas simples
  4. atrasos frequentes ou desorientação em locais conhecidos

Entretanto, especialistas alertam que esses sinais muitas vezes são minimizados por familiares e até por profissionais de saúde, principalmente em pessoas muito idosas.

Para os médicos, esquecer ocasionalmente pode ser normal, mas quando as mudanças passam a comprometer a autonomia da pessoa, é fundamental buscar avaliação médica.

Nem toda perda de memória é Alzheimer

Por outro lado, especialistas também destacam que alterações cognitivas podem ter outras causas, especialmente em pessoas mais jovens.

Em alguns casos, os sintomas podem estar associados a condições tratáveis, como depressão, deficiência de vitamina B12 ou alterações da tireoide.

Por essa razão, a recomendação é sempre procurar um profissional de saúde quando surgirem sinais persistentes de perda de memória ou confusão mental.

Em resumo, o Alzheimer já está entre as doenças que mais preocupam os brasileiros. No entanto, o medo da enfermidade ainda está fortemente ligado à falta de informação e ao estigma associado à demência.

Portanto, ampliar o conhecimento sobre os sintomas, incentivar o diagnóstico precoce e fortalecer o acesso ao tratamento são medidas essenciais para enfrentar o crescimento da doença no país e garantir melhor qualidade de vida para pacientes e familiares.

Referências

  • Datafolha. Pesquisa nacional sobre percepção de doenças no Brasil.
  • Ministério da Saúde. Relatório Nacional de Demências (Renade) – 2024.
  • Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz). Informações sobre diagnóstico e tratamento da doença.
  • Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) – Disciplina de Geriatria.
Imagem do artigo Artrovital Max suplemento natural que auxilia no alívio de dores nas articulações e melhora da mobilidade