
Venezuela: Jornalista conta como ajudou a descobrir o mecanismo corrupto de lavagem de dinheiro chavista
Entenda como a crise na Venezuela está ligada a um esquema internacional de corrupção, narcotráfico e lavagem de dinheiro, revelado no depoimento de um jornalista que ajudou a expor o regime chavista.
Um depoimento que lança luz sobre um sistema oculto
Primeiramente, é impossível compreender a crise venezuelana sem analisar os bastidores do poder.
Segundo o depoimento apresentado no vídeo “Eu ajudei a expor o narcotráfico na Venezuela”, o jornalista Rafael Valera relata como ajudou a revelar um complexo esquema internacional de lavagem de dinheiro, corrupção estatal e narcotráfico ligado ao alto escalão do regime chavista.
Além disso, o testemunho atribui os fatos a investigações, documentos e experiências pessoais vividas durante anos de perseguição política, o que acabou levando o jornalista a deixar a Venezuela e buscar refúgio no Brasil.
Assista ao vídeo completo
Para compreender todos os detalhes desse esquema que envolve Venezuela, corrupção estatal, narcotráfico e lavagem de dinheiro, assista ao vídeo “Eu ajudei a expor o narcotráfico na Venezuela”.
No depoimento, o jornalista Rafael Valera, da Brasil Paralelo, relata em primeira pessoa como ajudou a revelar um dos mecanismos mais complexos de poder do regime chavista, com documentos, rotas internacionais e nomes centrais do esquema.
O vídeo aprofunda pontos que não aparecem na grande mídia e ajuda a entender por que a crise venezuelana vai muito além da incompetência administrativa
Assista ao vídeo no final do artigo e saiba todos os detalhes!
O início da denúncia e a fuga do país
Antes de tudo, Rafael Valera afirma ter nascido na Venezuela e vivido diretamente os efeitos do regime de Nicolás Maduro.
Segundo o relato do vídeo, a perseguição começou quando ele teve acesso a informações sobre um sistema internacional de tráfico de drogas, cujo dinheiro retornava para figuras poderosas do governo.
Consequentemente, a exposição dessas estruturas teria tornado sua permanência no país inviável, obrigando-o a fugir para preservar a própria vida.
Da promessa de prosperidade ao colapso social
Historicamente, a Venezuela foi apresentada como uma potência emergente da América Latina. Afinal, o país detém uma das maiores reservas de petróleo do mundo e, por décadas, atraiu investimentos, imigrantes e expectativas de prosperidade.
No entanto, segundo o conteúdo do vídeo, a adoção rigorosa de um modelo econômico centralizador provocou o efeito oposto. Com isso, o controle estatal absoluto, a destruição da propriedade privada e a asfixia do sistema financeiro levaram à escassez, à hiperinflação e à fuga em massa da população.
Quando a fome deixa de ser consequência e vira método
Nesse contexto, o depoimento sustenta que a fome não foi apenas resultado do colapso econômico, mas passou a ser instrumento político de controle social. Em 2016, o governo venezuelano lançou o programa CLAP (Comitês Locais de Abastecimento e Produção), oficialmente apresentado como ação social.
Entretanto, de acordo com o vídeo, a distribuição de alimentos não era universal. Pelo contrário, as caixas eram entregues seletivamente a setores alinhados ao partido governista, transformando comida em moeda política.
O papel do poder e das milícias armadas
Nesse sentido, o vídeo aponta que o controle do sistema CLAP estaria nas mãos de figuras centrais do regime, entre elas Fredy Bernal.
Conforme o relato, ele não apenas administrava a logística do programa, como também seria ligado a grupos paramilitares conhecidos como coletivos, responsáveis por intimidar e reprimir opositores.
Além disso, o depoimento menciona acusações internacionais que ligam Bernal ao chamado Cartel de los Soles, organização formada por membros do alto escalão do Estado venezuelano, com supostas conexões com tráfico de drogas e armas.
Empresas estrangeiras e o negócio da fome
Posteriormente, o vídeo detalha como a destruição da produção interna levou o regime a depender de importações de alimentos. Contudo, essas importações não teriam como objetivo abastecer toda a população.
Segundo o depoimento, empresas estrangeiras, especialmente ligadas a conglomerados mexicanos, passaram a fornecer alimentos de baixa qualidade, muitas vezes deteriorados, revendidos ao governo venezuelano por valores superfaturados.
Intermediários internacionais e contratos inflados
Em seguida, surgem no relato dois nomes centrais: Alex Saab e Álvaro Pulido. De acordo com o vídeo, ambos já possuíam histórico de contratos irregulares com o regime desde 2009.
Assim, com a criação do CLAP, eles teriam estruturado uma rede internacional de empresas em países como Hong Kong, México e Emirados Árabes, usando firmas de fachada para comprar alimentos baratos e revendê-los ao governo a preços inflados.
Narcotráfico e logística estatal
Mais grave ainda, o depoimento afirma que o esquema não se limitava à corrupção. Segundo o vídeo, os mesmos navios que transportavam alimentos também serviam para movimentar dinheiro do narcotráfico.
Nesse cenário, grupos como as FARC e o ELN, organizações narcoguerrilheiras colombianas, teriam utilizado a logística oficial do Estado venezuelano para escoar recursos financeiros provenientes da venda de drogas.
Lavagem de dinheiro em escala internacional
Além disso, o vídeo descreve rotas específicas para lavagem do dinheiro. Antes de chegar à Venezuela, os valores em espécie fariam paradas estratégicas em portos como Puerto Limón, na Costa Rica, operado por uma estatal venezuelana.
Posteriormente, segundo o depoimento, os recursos eram inseridos no sistema bancário internacional e transferidos para instituições financeiras russas sancionadas pelos Estados Unidos, completando o ciclo da lavagem de dinheiro.
Um sistema que se adapta para sobreviver
Mesmo diante de sanções internacionais, o vídeo relata que o esquema continuou operando. Quando uma empresa era proibida de contratar, outra surgia em seu lugar, com nome diferente, mas mantendo os mesmos operadores, famílias e estruturas.
Dessa forma, o programa CLAP, conforme apresentado no depoimento, jamais teria sido um programa social genuíno, mas sim o eixo central de um sistema criminoso internacional.
Engenharia de poder, não incompetência
Por fim, o depoimento atribuído ao vídeo sustenta que o que ocorreu na Venezuela não pode ser explicado como simples má gestão ou erros isolados.
Trata-se, segundo o relato, de uma engenharia de poder, que usou a fome como método de controle, a corrupção como prática de governo e o narcotráfico como fonte de financiamento.
Portanto, compreender esse mecanismo é essencial para que narrativas futuras não repitam a ideia de que regimes autoritários fracassam apenas por incompetência, quando, na visão apresentada, há projetos deliberados por trás do colapso
Conteúdo baseado no vídeo: “Eu ajudei a expor o narcotráfico na Venezuela”. Assista-o abaixo:
Referência
Depoimento exclusivo: Jornalista na Brasil Paralelo, Rafael Valera conta como ajudou a descobrir o mecanismo corrupto de lavagem de dinheiro do governo chavista e do narcotráfico na Venezuela.



