Queda do ditador iraniano, a euforia da população do país e o desgaste do governo Lula

Queda do ditador iraniano, a euforia da população do país e o desgaste do governo Lula

1 de março de 2026 0 Por Antônio Garcia

A recente queda do ditador iraniano, impulsionada pela morte de seu líder supremo, reacendeu debates globais sobre autoritarismo, instabilidade no Oriente Médio e os reflexos diplomáticos na América Latina.

Enquanto parte da população iraniana foi às ruas em clima de celebração, governos que historicamente mantiveram relações próximas com Teerã passaram a enfrentar questionamentos, entre eles o governo do presidente Lula.

No entanto, este artigo analisa o contexto histórico do regime iraniano, a rivalidade com Israel e os impactos políticos que o novo cenário internacional pode provocar no Brasil.

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A euforia da população iraniana

Imagens divulgadas por veículos internacionais mostram manifestações populares em diversas cidades iranianas após o colapso do regime.

Parte da população vê o momento como uma oportunidade histórica de abertura política, ampliação de direitos civis e reinserção econômica no cenário global.

Entretanto, transições em regimes autoritários costumam ser complexas. Sem liderança clara ou instituições plenamente democráticas consolidadas, há risco de disputas internas, fragmentação política e até intervenção militar.

Logo, embora exista euforia, o futuro ainda depende da capacidade de organização das forças políticas internas e da condução de um processo institucional legítimo.

E de que lado está o governo brasileiro?

Segundo Daltan, há incoerência na postura brasileira. Ele afirma que, quando o regime iraniano reprimiu violentamente protestos internos, o governo brasileiro teria demorado a se manifestar e feito declarações consideradas brandas, sem condenação direta à liderança iraniana.

Em contrapartida, a reação contra as ações militares de Estados Unidos e Israel teria sido imediata e enfática.

Ainda, Daltan também sustenta que o Irã é uma ditadura teocrática acusada de reprimir mulheres, perseguir minorias religiosas, financiar grupos armados no Oriente Médio e desenvolver programa nuclear com potencial bélico.

Para ele, ao condenar os ataques e não adotar postura igualmente firme contra o regime iraniano, o governo brasileiro estaria demonstrando alinhamento ideológico e não uma política externa baseada em princípios democráticos.

Por fim, ainda questiona se a posição expressa pelo Itamaraty representa os valores da população brasileira e acusa o governo de priorizar relações com regimes autoritários em detrimento de democracias ocidentais.

Mais detalhes no Vídeo abaixo. Sugiro assistir para ver o posicionamento do Governo Brasileiro!

Euforia nas ruas e na diáspora iraniana

No entanto, segundo relatos e vídeos que circularam nas redes sociais mostram manifestações de celebração atribuídas a iranianos em diversas partes do mundo.

Há registros de comemorações em cidades europeias, como Bolonha, na Itália, onde grupos ligados à diáspora iraniana teriam se reunido em praças públicas.

Porém, essas manifestações são interpretadas por parte dos participantes como um símbolo de libertação após anos de repressão política, restrições a direitos civis e perseguições a opositores.

O regime iraniano foi frequentemente acusado por organizações internacionais de direitos humanos de reprimir protestos internos com violência, executar dissidentes, restringir severamente diretos das mulheres, perseguir minorias religiosas, principalmente Cristãos e Judeus e etc

Além disso, o Irã é apontado por diversos governos ocidentais como financiador de grupos como o Hezbollah e o Hamas, considerados organizações terroristas por vários países.

Nesse contexto, parte da população enxerga o episódio como o fim de um ciclo de autoritarismo.

O que realmente está acontecendo e que a mídia tradicional não te conta

Assim, para entender o que realmente está acontecendo, é preciso compreender que o Irã é hoje uma ameaça global. E eu vou explicar agora para você o porquê.

O Irã não é apenas mais um país.

Trata-se de uma república teocrática islâmica com forte influência militar interna, ou, para muitos analistas, uma ditadura militar com roupagem teocrática.

Mais detalhes em um outro vídeo no final do artigo. Sugiro assistir!

Além disso, o Irã considera os Estados Unidos o “Grande Satã”, um grande demônio.

O Ocidente inteiro, aliás, é visto como fonte dos problemas do mundo islâmico.

Como o irá vê o ocidente?

Sem contar que eles enxergam o Ocidente como promotor de um imperialismo opressor, de uma influência cultural invasiva que confronta valores do Islã e da qual, segundo essa visão, o mundo islâmico precisa ser “salvo”.

Além disso, o islamismo político exaltado pelo regime valoriza o sacrifício e o martírio como atos de extrema devoção e obediência à fé.

Somam-se a isso as crises internas, o isolamento internacional e ações estratégicas agressivas, o que faz com que o Irã seja amplamente considerado um ator imprevisível e instável na geopolítica internacional.

O desenvolvimento de projetos nucleares iranianos, com potencial para construção de bombas atômicas, deixa o mundo em alerta.

O país é apontado como um dos principais financiadores de grupos armados no Oriente Médio, como o Hezbollah, no Líbano; o Hamas, em Gaza; os Houthis, no Iêmen; além de milícias xiitas no Iraque e na Síria.

Esses grupos são vistos pelo regime iraniano como forças de resistência contra o Ocidente e contra a influência ocidental no Oriente Médio.

Todos esses grupos recebem, segundo diversas acusações internacionais, recursos financeiros, armas e treinamento de Teerã, que se especializou nesse tipo de guerra por procuração contra Israel e aliados dos Estados Unidos na região. Em vez de atacar diretamente, o Irã arma, financia e treina grupos que atuam em seu lugar.

Além disso, o programa nuclear iraniano é visto como ameaça direta a Israel e ao equilíbrio regional, e, para alguns analistas, ao mundo. Um Irã com armas nucleares mudaria completamente a dinâmica do Oriente Médio e representaria um risco significativo para Israel.

O Irã defende não apenas apoia os palestinos, mas, declaradamente quer o fim do Estado de Israel

Por quê? Porque o regime iraniano não apenas apoia os palestinos ou defende uma solução de dois Estados, como fazem outros países.

Autoridades iranianas já fizeram declarações defendendo o fim do Estado de Israel. O regime não esconde seu antagonismo, apoia grupos que atacam cidadãos israelenses e americanos e projeta influência por meio de alianças armadas na região.

Mas e agora? O que vai acontecer? Estaríamos diante de uma terceira guerra mundial?

O conflito pode se desenvolver em três arenas principais.

A primeira arena é a militar. Já há relatos de retaliações e ataques na região. Informações apontam que o Irã realizou ataques contra alvos militares e, segundo algumas fontes, também contra alvos civis em países do Golfo Pérsico. Há menções a explosões em infraestrutura sensível, como hotéis e aeroportos.

O Irã não cumpre normas do Direito internacional humanitário

Ataques contra civis são proibidos pelo direito internacional humanitário. Caso confirmados, esses atos representariam grave violação das normas internacionais.

Nos próximos dias, é possível que ocorram novas retaliações contra alvos americanos, israelenses ou contra aliados dos Estados Unidos na região, incluindo bases militares, embaixadas ou ações indiretas por meio de grupos apoiados pelo Irã.

A segunda arena é a diplomática internacional. O conflito tende a provocar divisões. Países ocidentais podem apoiar ações dos Estados Unidos e de Israel. Rússia e China, que mantêm relações estratégicas com o Irã, tendem a condenar.

O Brasil também já se manifestou criticamente, posicionando-se em linha com a defesa da soberania iraniana e contra ataques militares.

A terceira arena é a política. Para alguns analistas, o objetivo estratégico de longo prazo não seria apenas neutralizar a infraestrutura militar ou o programa nuclear iraniano, mas enfraquecer o regime a ponto de provocar colapso interno ou mudança de governo.

A estratégia atribuída a lideranças como Donald Trump e Benjamin Netanyahu seria exercer pressão máxima para forçar o fim do programa nuclear iraniano ou a queda do regime dos aiatolás, ou ambos.

Isso importa para nós no Brasil. Pode parecer distante, mas não é. A instabilidade no Oriente Médio afeta o preço do petróleo, que impacta a inflação global e, consequentemente, a economia brasileira.

Além disso, há preocupação internacional com a presença de células de grupos extremistas em diferentes regiões do mundo, inclusive na América Latina.

Do ponto de vista moral e político, o Irã é frequentemente descrito por críticos como uma ditadura teocrática fundamentalista que oprime mulheres, executa dissidentes e persegue minorias religiosas. Relatórios internacionais sobre protestos recentes indicam números elevados de mortos em confrontos com forças de segurança.

Quem foi o líder supremo iraniano?

O regime iraniano é liderado há décadas pelo aiatolá Ali Khamenei, autoridade máxima da República Islâmica desde 1989.

No sistema político iraniano, o líder supremo possui poder superior ao presidente eleito, controlando as Forças Armadas, o Judiciário e influenciando diretamente a política externa.

O modelo político do Irã é teocrático, resultado da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi e instaurou um regime baseado na liderança religiosa xiita.

Desde então, o país tem sido acusado por organizações internacionais de violações de direitos humanos, repressão a opositores e restrições severas à liberdade de imprensa e manifestação.

A eventual queda do regime representa não apenas uma mudança interna, mas uma ruptura histórica em uma das nações mais estratégicas do Oriente Médio.

Saiba mais no áudio abaixo:

Vídeo com maiores informação.

Fontes e Referências

Nota editorial: Parte relevante das informações e interpretações apresentadas neste artigo baseia-se em conteúdo divulgado em vídeo pelo canal oficial de Deltan Dallagnol. O material mencionado está disponível ao final deste artigo, permitindo ao leitor acesso direto à fonte primária utilizada como referência.

Direitos humanos e repressão interna no Irã

  • Human Rights Watch – Relatórios anuais sobre execuções, repressão a protestos e perseguição a minorias religiosas no Irã.
  • Anistia Internacional – Documentação sobre uso excessivo da força contra manifestantes e pena de morte.
  • ONU (Relatoria Especial para Direitos Humanos no Irã) – Relatórios oficiais apresentados ao Conselho de Direitos Humanos.

Programa nuclear iraniano

  • Agência Internacional de Energia Atômica – Relatórios técnicos sobre enriquecimento de urânio e inspeções no Irã.
  • Council on Foreign Relations – Análises sobre o acordo nuclear (JCPOA) e riscos de proliferação.
  • International Crisis Group – Estudos sobre tensões nucleares no Oriente Médio.

Apoio iraniano a grupos armados

  • U.S. Department of State – Relatórios anuais “Country Reports on Terrorism”.
  • Brookings Institution – Pesquisas sobre guerra por procuração e influência iraniana na região.
  • Carnegie Endowment for International Peace – Estudos sobre milícias apoiadas por Teerã.

Rivalidade Irã–Israel

  • BBC – Cobertura histórica das tensões diplomáticas e militares.
  • Al Jazeera – Análises regionais sob perspectiva do Oriente Médio.
  • The Washington Institute for Near East Policy – Estudos sobre segurança regional.

Impacto geopolítico e petróleo

  • Organização dos Países Exportadores de Petróleo – Dados sobre produção e impacto no mercado.
  • Banco Mundial – Relatórios sobre impacto de crises no preço do petróleo.
  • Fundo Monetário Internacional – Análises de efeitos macroeconômicos globais.