Depressão e ansiedade podem matar. O Brasil enfrenta uma grave crise de saúde mental, com recorde de afastamentos do trabalho. Conheça os sinais silenciosos e os dados alarmantes.
Antes de tudo, é preciso dizer com clareza: depressão e ansiedade não são fraquezas emocionais e tampouco problemas menores. Elas podem, sim, matar silenciosamente, seja por meio do agravamento da saúde física, do isolamento social extremo ou, nos casos mais graves, pelo suicídio. No Brasil, essa realidade vem se tornando cada vez mais visível — e alarmante.
De acordo com dados oficiais do Ministério da Previdência Social, 2024 registrou o maior número de afastamentos do trabalho por transtornos mentais dos últimos dez anos. Foram mais de 470 mil trabalhadores afastados por doenças como ansiedade e depressão, um recorde histórico que expõe uma crise profunda e muitas vezes invisível.
O avanço silencioso da ansiedade e da depressão no Brasil
Em primeiro lugar, os números revelam que esses transtornos estão atingindo níveis de incapacidade nunca vistos anteriormente. Segundo levantamento obtido com exclusividade pelo g1, 472.328 licenças médicas foram concedidas em 2024 por problemas de saúde mental. Em comparação com o ano anterior, o crescimento foi de 68%, um salto que acende um sinal vermelho.
Além disso, chama atenção o fato de que esses afastamentos não representam casos isolados. Pelo contrário, eles fazem parte de um fenômeno amplo e crescente. Em 2024, o INSS recebeu cerca de 3,5 milhões de pedidos de licença médica por diversas doenças. Desse total, quase meio milhão teve como causa principal transtornos mentais.
Por outro lado, especialistas alertam que muitos casos sequer entram nas estatísticas. Isso porque uma parcela significativa das pessoas continua trabalhando mesmo adoecida, convivendo diariamente com sintomas silenciosos que, pouco a pouco, comprometem a saúde emocional e física
Tabela – Crescimento dos afastamentos por ansiedade e depressã
Tabela – Afastamentos do trabalho por transtornos mentais no Brasil
Ano
Afastamentos por ansiedade e depressão
2023
283.000
2024
472.328
Texto de transição sugerido para introduzir a tabela:
Para entender a gravidade do problema, basta observar a evolução dos afastamentos por transtornos mentais nos últimos dois anos, conforme mostra a tabela abaixo.
Gráfico – Crescimento dos afastamentos por ansiedade e depressão no Brasil
O gráfico que gerei mostra claramente a alta acentuada de 2023 para 2024, reforçando o caráter alarmante da crise.
Além dos números absolutos, a visualização gráfica deixa ainda mais evidente o crescimento acelerado dos afastamentos por ansiedade e depressão no país
Tabela – Estados com maior índice proporcional de afastamentos
Destaque proporcional
Estados
Maior número absoluto
SP, MG, RJ
Maior impacto proporcional
DF, SC, RS
Quando a análise vai além dos números brutos, os dados revelam um cenário ainda mais preocupante em alguns estados.
Por que esses transtornos estão se tornando tão perigosos?
Em segundo lugar, psiquiatras e psicólogos explicam que a gravidade atual da ansiedade e da depressão está diretamente ligada ao contexto social e profissional. A pressão excessiva no ambiente de trabalho, o medo constante do desemprego, a sobrecarga emocional e a instabilidade econômica contribuem para o agravamento desses quadros.
Além disso, as cicatrizes deixadas pela pandemia da Covid-19 continuam impactando milhões de brasileiros. O luto, o isolamento social, a insegurança financeira e o aumento das responsabilidades emocionais criaram um terreno fértil para o adoecimento psíquico.
Consequentemente, muitos trabalhadores chegam a um ponto de exaustão extrema, no qual o corpo e a mente simplesmente não conseguem mais responder. Nesses casos, o afastamento do trabalho se torna inevitável, sendo concedido pelo INSS após perícia médica quando a incapacidade ultrapassa 15 dias.
Estados mais afetados e traumas coletivos
Vale destacar que os maiores números absolutos de afastamentos estão nos estados mais populosos, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No entanto, quando se analisa a proporção em relação à população, os índices mais altos surgem no Distrito Federal, em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
No caso do Rio Grande do Sul, por exemplo, especialistas apontam que a tragédia das enchentes, que deixou centenas de mortos e milhares de desabrigados, agravou significativamente o sofrimento psicológico da população trabalhadora. Eventos traumáticos desse porte aumentam os riscos de depressão profunda, ansiedade crônica e estresse pós-traumático.
Governo reage ao crescimento da crise
Diante desse cenário preocupante, o governo federal decidiu endurecer as regras. Recentemente, o Ministério do Trabalho anunciou a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata da saúde e segurança no ambiente de trabalho.
Agora, a saúde mental passa a ser fiscalizada de forma obrigatória nas empresas, podendo gerar multas em caso de descumprimento. A medida busca combater justamente esse inimigo silencioso que adoece trabalhadores, reduz a produtividade e, em casos extremos, tira vidas.
Assim, os dados de 2024 deixam um alerta claro: ignorar os sinais da ansiedade e da depressão pode ser fatal. Reconhecer os sintomas precocemente é o primeiro passo para evitar consequências irreversíveis.
Aviso importante
Este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não substitui, em hipótese alguma, avaliação, diagnóstico ou tratamento profissional. As informações apresentadas têm como objetivo ampliar a conscientização sobre ansiedade e depressão, ajudando o leitor a reconhecer sinais e buscar ajuda adequada.
Caso você esteja enfrentando sintomas persistentes de sofrimento emocional, é fundamental procurar um profissional de saúde qualificado. O acompanhamento psicológico pode fazer toda a diferença no cuidado com a saúde mental.
Para orientação especializada, recomenda-se buscar atendimento com a psicóloga Suzeth Ferreira, profissional capacitada para auxiliar no tratamento e no suporte emocional adequados.
Horário de Atendimento:
Segunda a Quinta-Feira em Bom Sucesso e São pedro. Na Sexta Feira em Borrazópolis e Cruzmaltina. Contato: 43 9 99251234
Referências
Ministério da Previdência Social – Estatísticas de benefícios por incapacidade temporária
g1 – Reportagem especial sobre afastamentos por transtornos mentais em 2024
Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
Ministério do Trabalho – Atualização da Norma Regulamentadora NR-1
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