Anvisa aprova novo tratamento para hemofilia A  e B que promete reduzir sangramentos

Anvisa aprova novo tratamento para hemofilia A e B que promete reduzir sangramentos

7 de março de 2026 0 Por Antônio Garcia

Anvisa aprova o medicamento Qfitlia (fitusirana sódica) para prevenir sangramentos em pacientes com hemofilia A e B. Novo tratamento promete melhorar a qualidade de vida de mais de 14 mil brasileiros diagnosticados com a doença.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o registro de um novo medicamento para o tratamento da Hemofilia no Brasil. A novidade representa um avanço importante para pacientes que convivem com a doença, pois o tratamento poderá ajudar a prevenir ou reduzir episódios de sangramentos recorrentes.

O medicamento aprovado é o Qfitlia (fitusirana sódica), desenvolvido pela Sanofi. Ele é indicado para pacientes a partir de 12 anos diagnosticados com hemofilia A ou B, inclusive para aqueles que possuem inibidores dos fatores de coagulação VIII ou IX.

Segundo especialistas, a nova terapia tem potencial para melhorar significativamente a qualidade de vida de milhares de brasileiros que vivem com a condição.

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Mais de 14 mil brasileiros convivem com hemofilia

De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados no relatório Perfil das Coagulopatias de 2024, o Brasil possui 14.202 pessoas diagnosticadas com hemofilia.

Entre os casos registrados:

  • 11.863 pacientes possuem hemofilia tipo A
  • 2.339 pacientes têm hemofilia tipo B

A doença é considerada rara e tem origem genética. Além disso, por estar ligada ao cromossomo X, ela se manifesta quase exclusivamente em homens.

Por esse motivo, a análise do novo medicamento recebeu prioridade da Anvisa, que avaliou os benefícios da terapia para pacientes que necessitam de tratamentos contínuos.

O que é hemofilia e como a doença afeta o organismo

A hemofilia ocorre quando o organismo apresenta deficiência de proteínas responsáveis pela coagulação do sangue.

Essas proteínas são chamadas de fatores de coagulação. Quando estão ausentes ou em níveis muito baixos, o corpo tem dificuldade para estancar sangramentos.

Existem dois tipos principais da doença:

  • Hemofilia A – causada pela falta do fator VIII
  • Hemofilia B – causada pela deficiência do fator IX

Sem esses fatores, o organismo não produz adequadamente a Trombina, uma enzima fundamental para a formação de coágulos e cicatrização de feridas.

Como consequência, os pacientes podem apresentar sangramentos prolongados ou hemorragias espontâneas.

Gravidade varia conforme o nível dos fatores de coagulação

A intensidade da hemofilia depende da quantidade de fatores de coagulação presentes no sangue.

  • Casos graves: podem causar hemorragias espontâneas, principalmente em articulações e músculos.
  • Casos moderados ou leves: geralmente apresentam sangramentos após traumas, cirurgias ou lesões.

De acordo com especialistas, as articulações e os músculos são as áreas mais afetadas. Entretanto, qualquer órgão do corpo pode sofrer hemorragias.

Por isso, o diagnóstico precoce e o monitoramento contínuo são fundamentais para evitar complicações e preservar a qualidade de vida dos pacientes.

Novo medicamento promete tratamento menos invasivo

A aprovação do Qfitlia (fitusirana sódica) foi recebida com expectativa positiva por entidades que representam pessoas com hemofilia.

Segundo a Federação Brasileira de Hemofilia, a nova terapia poderá tornar o tratamento mais simples e menos invasivo.

Atualmente, muitos pacientes precisam receber infusões intravenosas de três a quatro vezes por semana.

No entanto, com o novo medicamento, a aplicação será subcutânea e realizada apenas uma vez a cada dois meses.

Essa mudança pode reduzir significativamente o impacto do tratamento no cotidiano dos pacientes e de seus familiares.

Tratamento pode melhorar adesão dos pacientes

Outro ponto destacado por especialistas é a possibilidade de aumentar a adesão ao tratamento.

De acordo com a Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia, muitos pacientes enfrentam dificuldades para manter a regularidade das terapias atuais, principalmente devido à frequência das aplicações.

Com um tratamento mais espaçado e menos invasivo, espera-se que mais pessoas consigam seguir corretamente as orientações médicas.

Consequentemente, os resultados clínicos podem melhorar, reduzindo episódios de sangramento e complicações da doença.

Impacto positivo para pacientes e para o sistema de saúde

Além dos benefícios diretos aos pacientes, especialistas apontam que a nova terapia pode trazer melhorias também para o sistema de saúde.

Com aplicações menos frequentes, a logística de atendimento tende a se tornar mais eficiente, reduzindo a sobrecarga nos centros especializados em hemofilia.

Dessa forma, profissionais de saúde poderão oferecer um acompanhamento mais personalizado, contribuindo para melhores resultados no tratamento.

Em resumo, a aprovação do novo medicamento pela Anvisa representa um avanço importante no cuidado com pessoas que vivem com hemofilia no Brasil. Com um tratamento mais prático e de longa duração, a expectativa é que pacientes tenham mais autonomia e qualidade de vida.

Maiores detalhes no áudio abaixo:

Referências

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Aprovação do medicamento Qfitlia (fitusirana sódica) para tratamento de pacientes com Hemofilia no Brasil.
  • Ministério da Saúde. Perfil das Coagulopatias Hereditárias no Brasil – 2024.
  • Federação Brasileira de Hemofilia (FBH). Informações institucionais e posicionamentos sobre tratamentos para hemofilia.
  • Associação Brasileira de Pessoas com Hemofilia. Estudos sobre adesão ao tratamento e qualidade de vida de pacientes.
  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Dados globais e diretrizes sobre diagnóstico e manejo da hemofilia.