Carnaval 2026 virou campanha antecipada em pró a Lula? Você sabia?

Carnaval 2026 virou campanha antecipada em pró a Lula? Você sabia?

16 de fevereiro de 2026 0 Por Antônio Garcia

Carnaval 2026 gera polêmica após desfiles com exaltação política a Lula e ao MST. Partido Novo aciona o TSE por suposta campanha antecipada com uso de dinheiro público. Entenda o debate.

Carnaval 2026, política e uso de recursos públicos entraram no mesmo enredo antes mesmo do início oficial do calendário eleitoral. A discussão ganhou força após desfiles que, segundo críticos, extrapolaram o campo artístico e passaram a flertar com propaganda eleitoral antecipada.

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Carnaval 2026 e política: qual é o limite?

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Primeiramente, é importante lembrar que o carnaval sempre teve forte componente político. Desde marchinhas que satirizavam o Império até enredos críticos durante o regime militar, a festa popular frequentemente serviu como palco de manifestações sociais.

Entretanto, no desfile da Acadêmicos de Niterói, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, o enredo teria ido além da crítica social. Conforme apontado por comentaristas políticos, houve exaltação direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com menções a nome, número partidário e slogan associado à campanha de 2022.

Além disso, em São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé teria levado à avenida homenagem ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, organização historicamente ligada a pautas defendidas pelo Partido dos Trabalhadores.

Dessa forma, o debate passou a girar em torno de um ponto central: trata-se apenas de expressão artística ou de campanha eleitoral antecipada?

Ação no TSE e questionamentos sobre isenção

Posteriormente, o Partido Novo acionou o Tribunal Superior Eleitoral, alegando propaganda eleitoral antecipada em favor de Lula. Inicialmente, o caso teria sido sorteado para o ministro André Mendonça, mas acabou redistribuído para a ministra Estela Aranha.

Consequentemente, surgiram questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento, já que a ministra foi indicada ao tribunal durante o atual governo. Críticos argumentam que a redistribuição fragiliza a percepção pública de isenção, ainda que, juridicamente, a redistribuição possa seguir critérios internos do tribunal.

Arte ou propaganda eleitoral antecipada?

Por um lado, defensores das escolas de samba sustentam que não é possível caracterizar propaganda antes da análise concreta do conteúdo apresentado. Além disso, qualquer tentativa de impedir previamente o desfile poderia ser interpretada como censura à manifestação cultural.

Por outro lado, após o desfile, observadores apontaram que a repetição de número partidário, slogans eleitorais e a presença do próprio presidente sendo exaltado ao longo da apresentação ultrapassariam o limite da crítica social.

Nesse sentido, a discussão jurídica gira em torno do que caracteriza propaganda eleitoral antecipada. A legislação brasileira busca impedir que candidatos utilizem meios de comunicação e eventos de grande alcance para influenciar o eleitorado antes do período permitido.

Assim, a pergunta central permanece: quando uma homenagem artística passa a configurar promoção eleitoral?

Uso de dinheiro público no Carnaval 2026

Outro ponto sensível envolve o financiamento. Tradicionalmente, escolas de samba recebem recursos públicos por meio de editais culturais e patrocínios estatais. Portanto, quando há suspeita de promoção política em um desfile custeado, ao menos em parte, com verba pública, o debate se intensifica.

Em outras palavras, a crítica não se limita ao conteúdo artístico, mas à possível utilização indireta de recursos do contribuinte para impulsionar uma imagem política às vésperas de um processo eleitoral.

O impacto institucional

Por fim, o caso levanta uma questão institucional delicada. Se toda manifestação puder ser enquadrada como expressão artística, então a fronteira entre cultura e campanha se torna difusa. Contudo, se houver critérios rígidos demais, corre-se o risco de cercear manifestações legítimas.

Portanto, o episódio do Carnaval 2026 amplia um debate que vai além da avenida: trata-se da relação entre cultura popular, poder político e regras eleitorais. Independentemente do desfecho jurídico no TSE, o tema tende a continuar no centro das discussões públicas nos próximos meses.

Referências institucionais

  • Tribunal Superior Eleitoral – Portal oficial com consulta pública a processos, decisões e ações eleitorais.
    https://www.tse.jus.br
  • Partido Novo – Canal oficial do partido para notas públicas e ações protocoladas.
    https://novo.org.br
  • Partido dos Trabalhadores – Informações institucionais e posicionamentos oficiais.
    https://pt.org.br
  • Acadêmicos de Niterói – Divulgação de enredos, notas e informações sobre desfiles.
  • Acadêmicos do Tatuapé – Informações oficiais sobre enredos e apresentações.
  • Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – Histórico institucional e pautas defendidas pelo movimento.
  • Luiz Inácio Lula da Silva – Agenda oficial e discursos disponíveis no portal do Governo Federal.