Carrapato e mosquito-palha: Saúde reforça cuidados contra transmissores de doenças no Paraná

Carrapato e mosquito-palha: Saúde reforça cuidados contra transmissores de doenças no Paraná

31 de janeiro de 2026 0 Por Antônio Garcia

Carrapato-estrela e mosquito-palha transmitem doenças graves como febre maculosa e leishmaniose. Veja os cuidados, dados do Paraná e orientações da Saúde para prevenção.

Atualmente, o combate às doenças transmitidas por vetores tem sido uma prioridade da saúde pública no Paraná. Carrapato-estrela e mosquito-palha exigem atenção redobrada da população, pois são responsáveis pela transmissão de enfermidades graves como a febre maculosa e as leishmanioses. Por isso, a Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR) reforça medidas preventivas e orientações essenciais para reduzir os riscos à saúde.

Essas doenças fazem parte do grupo das Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs), que afetam principalmente populações em situação de vulnerabilidade social. Além disso, elas estão entre as principais preocupações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que instituiu o Dia Mundial das DTNs, celebrado em 30 de janeiro, com o objetivo de mobilizar ações globais de controle e prevenção.

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Importância da prevenção e do diagnóstico precoce

Inicialmente, é importante destacar que tanto a febre maculosa quanto as leishmanioses apresentam sintomas inespecíficos, como febre, dores musculares e mal-estar geral. Dessa forma, essas manifestações podem ser facilmente confundidas com outras doenças, o que torna o histórico de exposição do paciente uma informação decisiva para o diagnóstico correto.

Segundo o secretário estadual da Saúde, Beto Preto, medidas simples fazem toda a diferença. “Manter a higiene dos quintais e verificar o corpo após atividades em áreas verdes são atitudes que salvam vidas”, ressalta. Além disso, o secretário reforça que o Paraná possui uma rede de saúde preparada para diagnóstico rápido, mas a colaboração da população é indispensável.

Leishmaniose: atenção ao mosquito-palha e aos ambientes urbanos

Em primeiro lugar, a leishmaniose se apresenta em duas formas principais: a Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), que provoca lesões na pele e mucosas, e a Leishmaniose Visceral (LV), forma mais grave que atinge órgãos internos como fígado e baço, podendo levar à morte se não tratada.

Em 2025, o Paraná registrou 536 casos de LTA, sendo que 79,2% foram considerados autóctones, ou seja, com transmissão dentro do próprio estado. Já a Leishmaniose Visceral teve 10 casos confirmados, com dois de transmissão local. Paralelamente, também foram confirmados 201 casos de leishmaniose visceral canina, o que acende um alerta adicional.

O mosquito-palha se desenvolve principalmente em ambientes com matéria orgânica úmida, como folhas e frutos em decomposição. Por isso, a limpeza frequente dos quintais é a forma mais eficaz de prevenção. No meio urbano, o cão é o principal reservatório do parasita. Embora exista tratamento gratuito para humanos pelo SUS, nos cães o tratamento não elimina completamente o parasita, mantendo o risco de transmissão.

Febre maculosa: risco elevado e alta letalidade

Por outro lado, a febre maculosa é considerada uma das DTNs mais letais quando não diagnosticada precocemente. Ela é causada por bactérias do gênero Rickettsia, transmitidas pela picada do carrapato-estrela.

No Paraná, entre 2021 e 2025, foram registradas 779 notificações, com 53 casos confirmados. O perfil mais afetado é o de homens entre 20 e 59 anos que frequentam áreas de mata, rios e cachoeiras. De acordo com dados da Sesa, 85% dos pacientes confirmados relataram contato direto com carrapatos.

O grande desafio está no fato de que os sintomas iniciais são comuns a várias doenças. Por isso, é fundamental informar ao profissional de saúde qualquer exposição a áreas silvestres nos 15 dias anteriores ao início dos sintomas.

Como se proteger do carrapato-estrela

Além disso, a prevenção da febre maculosa envolve cuidados simples, porém eficazes. Recomenda-se o uso de roupas claras e compridas ao frequentar áreas de mata. Também é essencial realizar inspeções no corpo a cada duas horas, já que o carrapato precisa permanecer de 4 a 6 horas fixado à pele para transmitir a bactéria.

Caso um carrapato seja encontrado, a remoção deve ser feita com uma pinça, de forma firme e cuidadosa, sem esmagar ou queimar o animal. Essa ação reduz significativamente o risco de infecção.

Combate integrado às Doenças Tropicais Negligenciadas

De maneira geral, o controle das leishmanioses e da febre maculosa depende da soma de ações individuais e coletivas. A destinação correta do lixo orgânico, a limpeza de abrigos de animais domésticos e o distanciamento desses locais das residências durante a noite são estratégias fundamentais para reduzir a presença dos vetores.

Ao longo do mês de janeiro, a Sesa publicou uma série de reportagens abordando também a malária e a doença de Chagas. Segundo o Relatório Global sobre DTNs, divulgado pela OMS em outubro de 2025, apesar dos avanços no controle dos vetores, a redução da mortalidade ainda ocorre de forma lenta em nível mundial.

No Paraná, essas ações educativas fortalecem a vigilância em saúde e mantêm o Estado como referência nacional no enfrentamento das Doenças Tropicais Negligenciadas.

Referências

  • Secretaria da Saúde do Paraná (Sesa-PR) – Informes Epidemiológicos e Reportagens Oficiais
  • Organização Mundial da Saúde (OMS) – Global Report on Neglected Tropical Diseases, 2025
  • Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde
  • Sistema Único de Saúde (SUS) – Protocolos de diagnóstico e tratamento