Nossa Senhora de Lourdes: O dogma da Imaculada Conceição e o choque no mundo protestante

Nossa Senhora de Lourdes: O dogma da Imaculada Conceição e o choque no mundo protestante

25 de janeiro de 2026 0 Por Antônio Garcia

Antes de tudo, é fundamental compreender por que a declaração feita por Nossa Senhora em Lourdes causou, e ainda causa, tanto impacto fora do catolicismo.

Em primeiro lugar, o dogma da Imaculada Conceição afirma que Maria, desde o primeiro instante de sua concepção, foi preservada do pecado original por uma graça singular de Deus, em vista dos méritos de Jesus Cristo.

Além disso, esse dogma foi oficialmente proclamado pelo Papa Pio IX em 8 de dezembro de 1854, por meio da bula Ineffabilis Deus (Deus inefável). No entanto, à época, muitos críticos, especialmente no meio protestante, acusaram a Igreja de criar uma doutrina sem base bíblica explícita, considerando-a uma inovação tardia.

Contudo, apenas quatro anos depois, em 1858, ocorre a Aparição de Lourdes. E é justamente nesse contexto que a revelação feita a Santa Bernadette se torna decisiva.

Convite

 7ª Romaria Diocesana de Apucarana em honra a Nossa Senhora de Lourdes, padroeira da Diocese, ocorrerá no dia 08 de fevereiro de 2026, às 18h, com saída em frente à Paróquia Cristo Profeta. O evento é um dos maiores do Paraná, reunindo milhares de fiéis para momentos de fé, oração e procissão luminosa. 

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Uma confirmação impossível de ser inventada

A princípio, a frase dita por Nossa Senhora, “Que soy era Immaculada Councepciou” ( Eu sou a Imaculada Conceição), não causou impacto imediato em Bernadette.

Pelo contrário, a jovem sequer compreendia o significado daquelas palavras. Entretanto, exatamente esse detalhe se tornou um dos maiores argumentos a favor da autenticidade da aparição.

Além disso, Bernadette era analfabeta, simples e sem qualquer formação teológica. Ainda assim, repetiu fielmente a expressão em dialeto local, sem traduzi-la ou adaptá-la. Logo depois, ao relatar o ocorrido ao pároco de Lourdes, Padre Dominique Peyramale, este ficou profundamente impressionado.

Isso porque o sacerdote sabia que o dogma da Imaculada Conceição havia sido proclamado recentemente em Roma e que aquela formulação exata não era de conhecimento popular, muito menos de uma camponesa pobre. Dessa forma, a revelação reforçou a convicção de que Bernadette não poderia ter inventado tal afirmação.

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Por que esse dogma ainda causa controvérsia?

Atualmente, a principal objeção protestante ao dogma da Imaculada Conceição continua sendo a interpretação da Escritura. Muitos defendem que apenas Cristo foi isento do pecado original e que Maria, sendo humana, teria herdado a mesma condição decaída de Adão.

No entanto, a Igreja Católica ensina que a Imaculada Conceição não diminui a centralidade de Cristo. Pelo contrário, afirma que Maria foi redimida de modo preventivo, ou seja, pela mesma graça de Cristo, mas aplicada de forma antecipada.

Além disso, textos bíblicos como Lucas 1,28, quando o anjo saúda Maria como “cheia de graça”, sempre foram interpretados pela Tradição como indícios dessa singularidade. Assim, Lourdes surge como uma confirmação sobrenatural daquilo que a Igreja já professava há séculos.

Lourdes como marco espiritual e teológico

Por fim, a Aparição de Nossa Senhora em Lourdes não apenas fortaleceu a devoção mariana, mas também consolidou o dogma da Imaculada Conceição no coração dos fiéis. A gruta de Massabielle tornou-se um dos maiores centros de peregrinação do mundo, associado à oração, penitência, conversão e cura.

Além disso, Lourdes passou a ser vista como um sinal claro de que os dogmas católicos não são invenções humanas, mas verdades reveladas e confirmadas por Deus no tempo oportuno.

Portanto, a frase simples e profunda “Eu sou a Imaculada Conceição”, continua ecoando até hoje, desafiando objeções, fortalecendo a fé católica e permanecendo como um dos episódios mais impactantes da história do cristianismo

O segredo de Nossa Senhora de Lourdes é Bernadette

Antes de tudo, quando se fala nas Aparições de Nossa Senhora em Lourdes, é impossível separar a mensagem do céu da vida daquela que a recebeu.

Em 11 de fevereiro de 1858, na pequena cidade de Lourdes, na França, uma jovem extremamente pobre e de saúde frágil chamada Bernadette Soubirous foi escolhida para um dos episódios mais marcantes da história do cristianismo.

Ao longo dos meses seguintes, Nossa Senhora, que mais tarde se revelaria como a Imaculada Conceição apareceu a Bernadette 18 vezes, transmitindo mensagens de oração, penitência e conversão. Entretanto, mais do que as palavras ditas na gruta de Massabielle, a própria vida de Bernadette tornou-se um sinal silencioso e poderoso da autenticidade das aparições.

Uma vida escondida, marcada pela santidade

Desde a infância, Bernadette enfrentou miséria extrema e doenças constantes, especialmente problemas respiratórios que a acompanharam por toda a vida. Ainda assim, jamais buscou prestígio, riquezas ou reconhecimento pelas aparições. Pelo contrário, sempre demonstrou simplicidade, obediência e profunda humildade.

Posteriormente, aos 22 anos, ingressou no Convento das Irmãs da Caridade de Nevers, onde passou a maior parte do tempo servindo na enfermaria, cuidando de doentes — mesmo sendo ela própria frágil. Dessa forma, viveu uma existência escondida, longe dos holofotes, marcada pelo sofrimento oferecido a Deus.

Em 16 de abril de 1879, aos 35 anos de idade, Bernadette faleceu em decorrência de complicações da tuberculose. Sua morte, porém, não encerrou sua missão.

As exumações e o mistério do corpo incorrupto

Inicialmente, o corpo de Bernadette foi sepultado em um caixão de chumbo e carvalho, lacrado na presença de autoridades civis e religiosas, incluindo um juiz de paz e agentes policiais. Tudo foi devidamente registrado e assinado, garantindo a seriedade do procedimento.

Entretanto, 30 anos após sua morte, em 22 de setembro de 1909, durante o processo de canonização, foi realizada a primeira exumação. Para surpresa geral, o corpo encontrava-se em estado extraordinário de conservação, sem qualquer odor de putrefação. Médicos, autoridades civis, membros do clero e testemunhas oficiais estavam presentes, todos sob juramento.

Além disso, as mãos estavam intactas, ainda segurando um rosário enferrujado, os traços faciais preservados e os membros rígidos, permitindo que o corpo fosse movimentado sem sinais de decomposição comum.

Exames médicos rigorosos e repetidos

Posteriormente, em 1919, uma segunda exumação foi realizada, novamente na presença de médicos independentes, autoridades eclesiásticas e civis. De maneira impressionante, os relatórios médicos coincidiram perfeitamente com os anteriores, mesmo tendo sido escritos separadamente e sem consulta mútua.

Mais tarde, em 1925, ocorreu a terceira e última exumação, necessária para a beatificação. Durante esse procedimento, o cirurgião responsável removeu relíquias do corpo, incluindo partes das costelas, músculos e até fragmentos do fígado. Segundo o próprio médico, tais órgãos apresentavam um nível de preservação considerado incompatível com processos naturais, especialmente após 46 anos de sepultamento.

De forma ainda mais surpreendente, o fígado, órgão que normalmente se decompõe rapidamente, mantinha consistência quase normal, fato que o próprio médico declarou não conseguir explicar cientificamente.

De camponesa pobre a sinal vivo do sobrenatural

Por fim, após a beatificação em 1925 e a canonização posterior, o corpo de Santa Bernadette Soubirous foi colocado em uma urna de cristal no Convento de Saint-Gildard, em Nevers, onde permanece até hoje para veneração pública.

Assim, o que muitos chamam de “segredo” de Lourdes não está apenas nas mensagens de Nossa Senhora, mas na própria vida de Bernadette: uma jovem simples, obediente e silenciosa, cuja existência, e até mesmo seu corpo, tornaram-se um testemunho vivo de que Deus escolhe os pequenos para confundir os grandes.

Referências

  • Catecismo da Igreja Católica, §§ 490–493
  • Papa Pio IX, Ineffabilis Deus (1854)
  • René Laurentin, Lourdes: Documentos Autênticos
  • Bíblia Sagrada – Lucas 1,28
  • Vaticano – Congregação para a Doutrina da Fé
  • René Laurentin – Bernadette de Lourdes
  • Arquivos do Convento de Saint-Gildard (Nevers)
  • Relatórios médicos das exumações de 1909, 1919 e 1925
  • Vaticano – Processo de Beatificação e Canonização de Santa Bernadette
  • Catecismo da Igreja Católica