
Você é cúmplice ou vítima?
Com eleições em 2026, reflita: até que ponto Você é cúmplice ou vítima do populismo, da corrupção e da degradação institucional.
Responsabilidade que vai além do voto
Antes de tudo, é preciso fazer uma distinção fundamental. Quando um cidadão vota em alguém que não se mostra confiável, que rouba ou frauda descaradamente a nação, mas ainda não tem conhecimento disso, é possível compreender o erro. Afinal, a desinformação existe e a manipulação política é real.
No entanto, quando as evidências são claras, os escândalos são públicos e a corrupção se repete, a situação muda. Nesse caso, fingir que não vê, apenas para continuar recebendo benefícios imediatos, transforma o eleitor de vítima em cúmplice.
O preço do silêncio e da conveniência
Muitas pessoas escolhem ignorar a corrupção em troca de vantagens pontuais, como Bolsa Família, vale-gás e outros benefícios populistas.
Embora políticas sociais sejam necessárias em qualquer país, elas se tornam um problema quando são usadas como ferramenta eleitoral, sem planejamento, sustentabilidade ou compromisso com o futuro da nação.
Assim, quando o eleitor fecha os olhos para crimes comprovados apenas para manter esses auxílios, ele passa a legitimar práticas que corroem o Estado, enfraquecem as instituições e perpetuam a pobreza estrutural.
Populismo econômico: um ciclo conhecido da história
O livro divide as entrevistas em quatro partes distintas, cada uma enfocando um aspecto fundamental da Lava Jato: Ministério Público, advocacia, judiciário e sociedade civil. Isso faz do livro uma obra fácil de navegar e permite uma compreensão completa pelo leitor, sob diferentes prismas.
Os entrevistados respondem a perguntas cruciais sobre o impacto da Lava Jato na sociedade brasileira, avaliando erros e acertos, aspectos positivos e negativos, além de oferecer estratégias para prevenir futuros casos de corrupção.
O livro é escrito de maneira acessível e envolvente, tornando a leitura agradável mesmo para aqueles que não são especialistas em Direito, política, compliance e anticorrupção.
A Lava Jato traz um registro histórico de um capítulo importantes na luta contra a corrupção no Brasil, revelando os segredos dos bastidores de uma operação que transformou o país.
Nesse contexto, a crítica ao populismo econômico não é ideológica, mas histórica e técnica. Na ciência política e na economia, especialmente na América Latina, esse fenômeno é amplamente estudado e documentado.
De modo geral, o populismo econômico se caracteriza por políticas de curto prazo, que até geram crescimento inicial, mas acabam provocando inflação, crises fiscais, endividamento excessivo e destruição da infraestrutura produtiva.
Principais características do populismo econômico
Além disso, o discurso populista tende a dividir artificialmente a sociedade, transformando instituições democráticas em atores políticos.
Reportagens investigativas e editoriais de veículos de grande circulação, como a Gazeta do Povo, apontaram, por exemplo, relações consideradas incompatíveis com a imparcialidade judicial no caso envolvendo o Banco Master, incluindo viagens em jatos privados, contratos milionários com escritórios ligados a familiares de ministros do Supremo Tribunal Federal e a imposição de sigilo sobre investigações sensíveis.
Segundo o jornal, tais episódios levantam questionamentos legítimos sobre conivência, blindagem de aliados e supressão ou restrição indevida de provas, corroendo o princípio da legalidade e a confiança da sociedade no Estado de Direito.
Da mesma forma, recorrem ao intervencionismo estatal excessivo, com nacionalizações, controle de preços e protecionismo exagerado, o que desestimula investimentos e gera desequilíbrios macroeconômicos.
Por fim, ocorre o chamado ciclo de “boom e crise”: no início, o aumento dos gastos impulsiona o consumo e a popularidade do governo. Contudo, com o tempo, as reservas se esgotam, a inflação explode e a recessão se instala.
Exemplos históricos que não podem ser ignorados
A história recente oferece exemplos claros das consequências desse modelo.
Na Venezuela, os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro transformaram um país rico em petróleo em uma economia em colapso, marcada por escassez, hiperinflação e uma grave crise migratória.
Na Argentina, o kirchnerismo deixou como herança endividamento elevado, inflação crônica e perda de credibilidade internacional, resultado de políticas fiscais irresponsáveis.
No Brasil, durante a chamada República Populista (1945–1964), líderes como Getúlio Vargas e seus sucessores utilizaram um discurso paternalista e nacionalista. Embora tenha havido industrialização, o período também foi marcado por instabilidade política, polarização e desequilíbrios econômicos.
Na Itália, o populismo de Silvio Berlusconi esteve associado a baixo crescimento do PIB, produtividade estagnada e perda de competitividade econômica.
Consequências de longo prazo para as nações
Estudos indicam que, após cerca de 15 anos sob governos populistas, os países tendem a apresentar um PIB per capita até 10% menor do que economias semelhantes. Além disso, enfrentam maior endividamento, inflação persistente e instituições democráticas fragilizadas.
Ou seja, o custo do populismo não é imediato, mas é profundo, duradouro e difícil de reverter.
2026 está chegando: repetir erros é escolha
Em 2026, o Brasil terá novamente eleições. Diante disso, é fundamental refletir. A história recente já demonstrou, por meio de investigações como que muitos políticos foram comprovadamente envolvidos em esquemas de corrupção, (Como nessa noticia da Revista Época, Clique Aqui e Saiba Mais.) e, ainda assim, alguns retornam à cena política como se nada tivesse acontecido.
Portanto, a pergunta final é inevitável: até que ponto o eleitor é vítima e a partir de quando se torna cúmplice?
Consciência é o verdadeiro benefício social
Em síntese, benefícios sociais não podem servir de desculpa para a tolerância com a corrupção. Um país só avança quando seus cidadãos exigem ética, responsabilidade fiscal e respeito às instituições.
Assim, votar conscientemente não é apenas um direito, é um dever moral com o presente e, principalmente, com o futuro das próximas gerações
Referências teóricas e acadêmicas
- Carlos Sabino (Venezuela)
El Fracaso del Socialismo del Siglo XXI
👉 Mostra como a captura do Judiciário foi central para o colapso institucional venezuelano. - Instituto Fraser / Heritage Foundation
👉 Relatórios sobre liberdade econômica, intervencionismo estatal e declínio institucional.
Dornbusch, Rudiger; Edwards, Sebastian (1991)
The Macroeconomics of Populism in Latin America
👉 Obra clássica que define o populismo econômico, o ciclo de “boom e colapso” e o impacto institucional dessas políticas.
Acemoglu, Daron; Robinson, James (2012)
Why Nations Fail (Por que as nações fracassam)
👉 Demonstra como instituições extrativas, politizadas e capturadas levam à estagnação econômica e à perda de legitimidade democrática.
Mudde, Cas; Rovira Kaltwasser, Cristóbal (2017)
Populism: A Very Short Introduction
👉 Analisa o discurso maniqueísta (“povo puro vs. elite corrupta”) e o impacto do populismo sobre tribunais, imprensa e freios institucionais.
Levitsky, Steven; Ziblatt, Daniel (2018)



