Nicolás Maduro: a trajetória, as controvérsias e o lado oculto do poder na Venezuela

Nicolás Maduro: a trajetória, as controvérsias e o lado oculto do poder na Venezuela

11 de janeiro de 2026 0 Por Antônio Garcia

Quem é Nicolás Maduro? Entenda sua trajetória, as acusações, a crise humanitária na Venezuela e o lado oculto do poder. Vídeo com maiores detalhes, logo abaixo.

Durante o auge econômico da Venezuela, período em que o país ficou conhecido como a Venezuela Saudita devido à abundância de petróleo e à prosperidade econômica, nascia um menino que parecia destinado a uma vida comum.

Naquele momento, a Venezuela figurava entre as nações mais ricas do mundo, ocupando a quarta posição no ranking global de riqueza.

Desde cedo, Nicolás Maduro Moros demonstrava paixão pelo esporte e pela música. Filho de uma professora e de um economista engajado politicamente, cresceu em um ambiente permeado por ideias revolucionárias e discursos ideológicos.

À primeira vista, sua história poderia facilmente se confundir com a de um atleta de destaque ou até mesmo com a de um músico promissor.

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A juventude entre o esporte, a música e a política

Inicialmente, Maduro dedicou-se intensamente ao beisebol, o esporte mais popular da Venezuela. Participou de campeonatos metropolitanos e chegou a ser convidado para realizar testes em equipes dos Estados Unidos, o que indicava um futuro promissor nos campos esportivos.

Ao mesmo tempo, surgiram relatos de que teria integrado uma banda de rock nos anos 1980. Vídeos que circularam na internet alimentaram essa narrativa, apresentando um homem que supostamente seria Maduro cantando e tocando em um programa de televisão.

Entretanto, essa versão foi posteriormente desmentida. Os próprios integrantes da banda Enigma afirmaram que Maduro nunca fez parte do grupo. O homem do vídeo, na verdade, era Carlos Carrilho, vocalista da banda. Ainda assim, a informação falsa permaneceu em sua biografia oficial, divulgada e recomendada pelo próprio presidente.

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Se você deseja compreender em profundidade todos os detalhes, contradições e bastidores do governo de Nicolás Maduro, assista ao vídeo abaixo. Ele apresenta uma investigação detalhada sobre a trajetória, os escândalos e o lado oculto do poder na Venezuela, reunindo documentos, depoimentos e análises que ajudam a entender por que o país chegou à situação atual.

A sombra sobre o nascimento de Nicolás Maduro

Contudo, as controvérsias sobre a vida de Maduro vão muito além da música. Uma das maiores dúvidas envolve seu local de nascimento. Apesar de afirmar ter nascido em Caracas, diferentes versões oficiais apresentaram ao menos cinco paróquias distintas como local de seu nascimento.

Além disso, investigações históricas e testemunhos indicam que Maduro pode ter nascido na Colômbia. O historiador Walter Marquers e mais de dez pessoas que conviveram com ele na infância sustentam essa hipótese.

Nesse contexto, o problema se torna constitucional. A Constituição venezuelana exige que o presidente seja venezuelano nato.

Até hoje, não foi apresentada uma certidão de nascimento oficial de Maduro registrada na Venezuela, enquanto documentos em cartórios colombianos teriam sido adulterados ou destruídos após a data de seu nascimento.

O despertar político e a aproximação com Hugo Chávez

Desde muito jovem, Maduro demonstrou envolvimento político ativo. Ainda na adolescência, tornou-se presidente do centro estudantil de sua escola, defendendo ideias socialistas e discursos de solidariedade de classe.

Posteriormente, trabalhou como motorista de ônibus, período em que se destacou como sindicalista. Em sua própria biografia, Maduro relata que ingressou no setor seguindo uma estratégia da Liga Socialista para organizar forças revolucionárias dentro de empresas estatais.

Foi nesse caminho que, em 1993, conheceu Hugo Chávez, então preso após a fracassada tentativa de golpe de Estado em 1992. Para Maduro, Chávez era mais do que um líder: era um mito vivo.

A ascensão ao poder e o legado de Chávez

Em 1997, Maduro foi um dos fundadores do Movimento Quinta República (MVR), partido que levou Hugo Chávez à presidência em 1999. A proximidade entre ambos garantiu a Maduro cargos estratégicos, como ministro das Relações Exteriores e vice-presidente.

Em 2012, já debilitado pelo câncer, Chávez declarou publicamente que desejava Nicolás Maduro como seu sucessor. Após a morte do líder chavista, uma população comovida assistiu Maduro assumir a presidência interinamente e, pouco depois, vencer as eleições.

Curiosamente, Maduro afirmou que Chávez teria lhe aparecido na forma de um passarinho para abençoar sua candidatura, declaração que se tornou símbolo do culto à personalidade em torno do ex-presidente.

Crise econômica, social e humanitária sem precedentes

Entretanto, as promessas de igualdade e prosperidade não se concretizaram. Após a posse de Maduro, a Venezuela mergulhou em uma das maiores crises de sua história.

De fato, o país enfrentou escassez de alimentos, medicamentos, água e energia elétrica, afetando mais de 90% da população. O PIB venezuelano sofreu uma contração de aproximadamente 75%, um colapso raramente visto fora de cenários de guerra.

Enquanto isso, milhões de venezuelanos passaram a conviver com hiperinflação, fome e subnutrição. Segundo dados da ONU, mais de 6,5 milhões de pessoas deixaram o país até 2023 em busca de sobrevivência.

Ostentação, repressão e negação da crise

Em contraste com a miséria generalizada, Maduro protagonizou episódios de ostentação que geraram revolta internacional. Em 2018, foi flagrado jantando em um dos restaurantes mais caros do mundo, na Turquia, enquanto o salário mínimo venezuelano não chegava a poucos dólares.

Além disso, Maduro negou repetidamente a existência da crise e recusou ajuda humanitária internacional, bloqueando caminhões com alimentos e medicamentos na fronteira com a Colômbia em 2019.

Segundo denúncias, os programas de distribuição de alimentos, como os CLAPs, tornaram-se instrumentos de controle político, condicionando o acesso à comida ao apoio eleitoral.

Violações de direitos humanos e censura

Diante das manifestações, o governo respondeu com repressão. Líderes da oposição foram presos, exilados ou impedidos de concorrer às eleições. Há registros de desaparecimentos, torturas e assassinatos de opositores.

De acordo com relatórios da ONU, forças de segurança venezuelanas cometeram graves violações de direitos humanos, incluindo torturas físicas e psicológicas contra presos políticos e seus familiares.

Paralelamente, a liberdade de imprensa foi severamente restringida. Canais de TV e rádios foram fechados, jornalistas presos e leis foram aprovadas para controlar a informação divulgada à população.

Eleições de 2024 e o agravamento do conflito

Nas eleições de 2024, a oposição conseguiu se unir em torno de Maria Corina Machado, vencedora das primárias com ampla maioria. Contudo, decisões judiciais a tornaram inelegível.

Em seguida, Edmundo González surgiu como candidato, mas o pleito foi marcado por denúncias de fraude. O Conselho Nacional Eleitoral declarou Maduro vencedor, resultado contestado por diversos países.

Desde então, protestos se espalharam pelo país, inclusive em regiões historicamente chavistas. A repressão resultou em milhares de prisões e dezenas de mortes.

Por fim, a história de Nicolás Maduro revela uma trajetória marcada por contradições, controvérsias e um aprofundamento autoritário do poder. O líder que prometeu continuar o legado de Chávez acabou conduzindo a Venezuela a uma crise humanitária, política e econômica sem precedentes.

Atualmente, enquanto seus defensores atribuem os problemas ao imperialismo e às sanções internacionais, cresce o questionamento interno e externo sobre o futuro da democracia venezuelana.

Referências

  • Brasil ParaleloA Face Oculta de Nicolás Maduro
  • Relatórios do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ONU)
  • ACNUR – Agência da ONU para Refugiados
  • Programa Mundial de Alimentos (ONU)
  • Depoimentos e investigações citadas no documentário Infiltrados – Venezuela